Ranieri Faraoni (n. 1992, Brasil)
Sou brasileiro no passaporte,
português nos desvios da alma.
Sou brasileiro no passaporte,
português nos desvios da alma.
Cheguei a Portugal em 2012 como quem não sabe porquê,
mas sente, profundamente, que tem de vir.
Apenas com essa estranha coragem dos que confiam no abismo.
E o abismo, por vezes, sorri.
A mim, sorriu com cabos e câmaras.
mas sente, profundamente, que tem de vir.
Apenas com essa estranha coragem dos que confiam no abismo.
E o abismo, por vezes, sorri.
A mim, sorriu com cabos e câmaras.
Foram sete anos em Lisboa —
sete anos imerso no mundo hipnótico da televisão.
Aprendi a ver pelo olhar das máquinas,
a escutar o ritmo secreto das imagens
que não falam, mas dizem tudo.
Ali, entre estúdios e transmissões,
percebi que a verdade é apenas o alfabeto.
A poesia... vem depois.
sete anos imerso no mundo hipnótico da televisão.
Aprendi a ver pelo olhar das máquinas,
a escutar o ritmo secreto das imagens
que não falam, mas dizem tudo.
Ali, entre estúdios e transmissões,
percebi que a verdade é apenas o alfabeto.
A poesia... vem depois.
Depois: o amor.
E o amor, esse cartógrafo instável, levou-me para sul.
Évora. Alentejo.
Mais céu, menos ruído.
Onde o tempo guarda segredos e a pressa desaprende-se.
E o amor, esse cartógrafo instável, levou-me para sul.
Évora. Alentejo.
Mais céu, menos ruído.
Onde o tempo guarda segredos e a pressa desaprende-se.
Foi aí que a imagem reapareceu — despida do urgente.
A fotografia não chegou como escolha, mas como inviabilidade.
Um instinto que amadureceu em silêncio.
Fotografar, no Alentejo, não é capturar — é escutar.
A imagem, para mim, é contemplação pura,
uma espécie de oração.
A fotografia não chegou como escolha, mas como inviabilidade.
Um instinto que amadureceu em silêncio.
Fotografar, no Alentejo, não é capturar — é escutar.
A imagem, para mim, é contemplação pura,
uma espécie de oração.
Entre vinhas e cal, é a luz que fala por mim.
Cada fotografia é o meu um acto de resistência
contra a pressa do mundo.
Cada enquadramento,
um instante que se recusa a morrer.Eu não vim para ficar — vim para criar.
E o que vem a seguir... ainda ganha forma,
num futuro por revelar —
como fotografia em câmara escura,
à espera do instante exacto
em que a luz invisível
encontra o seu lugar.
Cada fotografia é o meu um acto de resistência
contra a pressa do mundo.
Cada enquadramento,
um instante que se recusa a morrer.Eu não vim para ficar — vim para criar.
E o que vem a seguir... ainda ganha forma,
num futuro por revelar —
como fotografia em câmara escura,
à espera do instante exacto
em que a luz invisível
encontra o seu lugar.